Metade dos dependentes químicos é vítima de doenças psíquicas

Depressão e bipolaridade estão frequentemente associadas ao vício de álcool e drogas

Por Minha Vida - publicado em 22/08/2012


Um estudo com 1,3 mil pacientes tratados nos últimos três anos na Unidade Estadual de Álcool e Drogas do Hospital Lacan, em São Bernardo do Campo, revelou que cerca de 50% dos pacientes com alguma dependência química têm doenças psíquicas associadas. O resultado aponta não só para a necessidade de melhoria da assistência para esses pacientes como para a importância da compreensão da família de que o tempo de internação pode ser mais longo do que o previsto.

Segundo Sérgio Tamai, coordenador da área de saúde mental da secretaria, pessoas com transtornos mentais apresentam um risco maior de desenvolver uma dependência de droga. É o caso de quem sofre com distúrbio de ansiedade e consome bebidas alcoólicas para relaxar, a bebida piora o quadro da doença e cria um círculo vicioso, logo concretizado como alcoolismo. A associação é levemente mais comum em mulheres. Das analisadas, 56% apresentaram doenças como depressão, bipolaridade e transtorno obsessivo-compulsivo. Entre os homens, o percentual foi de 50,1%.

A pesquisa conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo observou ainda que a maior parte dos centros de tratamento de dependentes químicos não está preparada para lidar com o problema associado a distúrbios psíquicos. Segundo o coordenador Sérgio, pacientes com depressão, por exemplo, são mais propensos a atentar contra a própria vida. Entretanto, poucos lugares contam com medidas de segurança para evitar tentativas de suicídio.

O coordenador destaca ainda outro perfil de paciente: dependentes com esquizofrenia. De acordo com o especialista, a droga pode modificar o padrão da doença, tornando um indivíduo pacífico mais agressivo. O tratamento de dependentes químicos com doenças psíquicas associadas pode levar mais tempo que o normal. Por ser mais complexo, o tempo de internação pode até triplicar. A dependência de droga isolada exige, em média, dez dias de internação.

Internação para dependência química

Segundo a psicoterapeuta Valeria Lacks, especialista do Minha Vida, a internação para dependência de drogas é uma das ferramentas do tratamento que, quando bem indicada, pode representar uma alavanca fundamental no processo de recuperação do dependente. Entretanto, ela não deve ser o único recurso para lidar com o problema.

Mas uma situação comum em clínicas de dependência são os pedidos urgentes que aparecem por parte dos pacientes e dos familiares quando se deparam com episódios de crise. "Pela impotência dos agentes envolvidos, eles encaram a internação como a solução para o problema", afirma.

Quando a internação ocorre nessas condições, entretanto, é comum que um ou dois dias depois, quando paciente e família já estão mais calmos, desapareça o empenho no tratamento. Ajudar o paciente e sua família a esclarecer o que está se passando e oferecer alternativas de escuta intensiva antes da internação, pode aumentar a eficácia dessa última e os efeitos do tratamento em longo prazo.

Os principais objetivos da internação são a desintoxicação, a reorientação do projeto terapêutico e o afastamento do meio quando os riscos de morte, de aumento da violência ou da criminalidade deixam de ser administráveis no tratamento ambulatorial.

O momento da indicação de uma internação varia:                

  • Para aqueles que já haviam iniciado um tratamento, ela pode contribuir para aumentar a adesão, evitando rupturas num processo terapêutico já iniciado

Para todos os casos, a voluntariedade é fator fundamental na indicação de uma internação.   



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