Uma bala de canhão para acertar uma mosca. É mais ou menos assim que funcionam os remédios tradicionais usados em quimioterapia para tratar os mais diversos tumores. Além de destruir as células cancerosas, a droga deixa o organismo arrasado o que explica o enorme leque de efeitos colaterais.
Por isso a Medicina tem buscado incansavelmente remédios mais específicos, capazes de atingir o alvo sem destruir as células saudáveis. E os progressos nesse campo são grandes. Hoje há drogas para tumores de mama, pulmão e linfoma, por exemplo, que agem de forma inteligente.
Estes medicamentos são em geral anticorpos contra estruturas celulares
conhecidas por estarem associadas ao desenvolvimento de células
neoplásicas , explica o oncologista clínico André Sasse, de Campinas, no
interior paulista. Ou seja, atacam somente as células do tumor.
Uma das grandes dificuldades de lutar contra o câncer é que o mesmo
tumor pode se manifestar de forma diferente em pacientes diferentes e
cada um reage de um jeito ao tratamento. Por isso é tão difícil
desenvolver remédios que se apliquem a todos os casos com a mesma
eficácia.
Por isso a grande maioria dessas drogas promissoras
ainda não está disponível para tratamento. Há muitas em estudo, pois é
necessário estabelecer ao certo a segurança e a eficácia de cada um dos
medicamentos , explica André Sasse. Mas os pesquisadores parecem ter
poucas dúvidas quanto ao caminho a seguir na guerra contra o câncer.