Fumar durante a gravidez pode causar asma em crianças

Estudo mostra que chiado no pulmão é mais comum se mãe fumou no primeiro trimestre de gestação

Por Minha Vida - publicado em 21/08/2012


Uma nova pesquisa feita pelo Instituto de Medicina Ambiental do Instituto Karolinska, na Suécia, sugere que fumar durante a gravidez pode aumentar o risco de crianças na idade pré-escolar desenvolverem asma e problemas de chiado no pulmão, mesmo que as crianças não sejam expostas à fumaça após o nascimento. Os resultados foram publicados na edição online do American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine

O estudo analisou dados de mais de 21.000 crianças, sendo que 735 delas foram expostas ao tabagismo apenas durante a gravidez. Com base em questionários respondidos pelos pais, os pesquisadores descobriram que as crianças expostas ao tabaco, principalmente no primeiro trimestre de gestação, eram mais propensas a sofrer de asma ou chiados no peito em idade pré-escolar. Eles notaram ainda que o risco de asma aumentava na medida em que o feto havia sido mais exposto à fumaça do cigarro

A incidência de chiado e de asma aumentou mesmo após os autores ajustarem as estatísticas, levando em conta fatores como sexo da criança, peso ao nascer e os níveis de educação dos pais. Os estudiosos perceberam também que o tabagismo materno a partir do terceiro trimestre de gestação ou no primeiro ano de vida do bebê não aumentaram significativamente os riscos de asma na infância. 

 De acordo com os pesquisadores, esses resultados indicam que os efeitos nocivos do tabagismo sobre o sistema respiratório fetal podem começar no início da gravidez, talvez antes mesmo de as mulheres descobrirem que estão grávidas. O estudo, porém, não prova uma relação de causa-e-efeito, pois a informação veio de respostas dos pais, e não de um estudo clínico.

Cigarro traz outros riscos ao bebê, além da asma

Além da asma e outros problemas respiratórios não são as únicas consequências para a criança em razão do fumo durante a gestação. Os especialistas alertam que não existe um limite seguro de consumo de cigarro. Já foram identificadas mais de cinco mil substâncias na fumaça do tabaco, dentre elas gases e partículas cancerígenas, agrotóxicos usados durante o plantio da folha de tabaco e que são mantidos no processo de ressecamento para a fabricação do cigarro, dentre outros. Veja os riscos que o fumo na gravidez pode trazer a criança: 

Hiperatividade e problemas de atenção

Mulheres que fumam na gravidez têm maior risco de ter um filho hiperativo e com problemas de atenção na escola, segundo estudo da Universidade de York, no Reino Unido. Publicada no Journal of Epidemiology and Community Health, a pesquisa avaliou mais de 13 mil crianças de três anos e indicou que 10% das mães relataram que fumaram durante a gestação. Os resultados mostraram que os riscos de problemas de atenção e comportamento aumentavam consideravelmente quando as mães fumavam na gestação.

Doenças cardiovasculares

Mães que fumam no início da gravidez têm mais probabilidade de que seus bebês nasçam com problemas cardíacos, segundo um estudo publicado na revista Pediatrics. A pesquisa mostra que as mulheres que fumaram em algum momento do mês anterior à gravidez até o fim do primeiro trimestre tiveram maior probabilidade de dar à luz crianças com determinadas cardiopatias congênitas - como alteração do septo ventricular ou circulação sanguínea insuficiente - em comparação com as mulheres que não fumaram durante o mesmo período. 

Abortos e doenças de placenta

O pneumologista Ciro Kirchenchtejn, de São Paulo, afirma que mulheres que fumam durante a gravidez têm mais probabilidade de ter um aborto espontâneo e problemas na placenta. "O tabagismo na gestação pode causar o endurecimento da placenta, dificultando a passagem de oxigênio e nutrientes para o bebê, causando um parto prematuro ou levando a criança a nascer com seu peso até meio quilo abaixo do normal", diz. 

Diminui níveis de colesterol bom

Pesquisadores da University of Sydney, na Australia, descobriram que mães que fumam durante a gravidez podem ter bebês com níveis mais baixos de HDL, o colesterol conhecido por proteger contra doenças cardíacas na vida adulta. O estudo foi feito com 405 crianças e revelou que os níveis de HDL variaram muito entre filhos de mães fumantes e não fumantes, mesmo depois do ajuste de uma série de fatores, como a exposição da criança ao cigarro após o nascimento, duração do aleitamento materno e sedentarismo. 

Riscos ao bebê e às crianças

A amamentação, quando a mãe volta a fumar depois do parto, transforma o bebê em fumante passivo: a criança pode sofrer de overdose tóxica ou parada cardíaca, pois o leite materno apresenta altas concentrações de nicotina. De acordo com o pneumologista Alberto de Araújo, presidente da comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, bebês que são constantemente expostos à fumaça do cigarro ainda podem ser vítimas da Síndrome da Morte Súbita Infantil, causada pelas substâncias tóxicas do cigarro. 


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